A janela de transferencia fechou e O CIES publica as maiores transações de 2025

 A 511ª edição do CIES Football Observatory Weekly Post analisa os resultados financeiros das operações de transferência realizadas em 2025.

 No total, clubes de todo o mundo investiram aproximadamente € 14,2 bilhões, 14% a mais que o recorde anterior estabelecido em 2023. 

Esta publicação apresenta os balanços patrimoniais dos 121 times em todo o mundo envolvidos em transações de entrada e saída, totalizando mais de € 50 milhões.

Com cerca de € 500 milhões investidos e € 255 milhões recebidos (incluindo add-ons e sell-ons), o Liverpool lidera o ranking em termos de taxas geradas (€ 755 milhões). 

Outros dois times ingleses completam o pódio: Chelsea (€ 754 milhões) e, mais atrás, Manchester City (€ 556 milhões). 

Em termos de gastos líquidos, os saldos mais negativos também foram registrados por clubes ingleses: Manchester City (-€ 369 milhões), Arsenal (-€ 366 milhões) e Liverpool (-€ 245 milhões). 

Em contraste, três times da Ligue 1 francesa totalizaram os gastos líquidos mais positivos em transações concluídas em 2025: RC Lens (+€ 113 milhões), Olympique Lyonnais (+€ 108 milhões) e Monaco (+€ 95 milhões). 

Em termos de número de transferências com pagamento de taxas, seja para receita ou despesa, os clubes mais ativos foram o AC Milan (37 negócios), a Juventus (33) e o Chelsea (32).

 

O Negócio Chamado Futebol





Recentemente, participei do programa de capacitação StartSe Executive Program, onde tive acesso a aulas impactantes, que nos provocaram a repensar os modelos de negócios atuais e a observar com atenção os sinais que emergem de diversas frentes — política, economia, sociedade, tecnologia, aspectos legais, comportamento dos consumidores e, sobretudo, dos concorrentes.

Neste capítulo, abordarei especificamente o tema: O Negócio Chamado Futebol.

Com base nos aprendizados adquiridos e na experiência vivida durante a capacitação, elenquei os principais sinais que identifico como fundamentais para a reflexão sobre o futebol como negócio. Este é um campo que exige atenção redobrada, pois o principal objetivo é desenvolver uma visão estratégica capaz de antecipar tendências e evitar etapas desnecessárias no processo de transformação.

1 - Inteligência Artificial aplicada à gestão e performance

  • Análise preditiva para desempenho de atletas.
  • Algoritmos na tomada de decisões táticas e contratações.
  • Automação de scouting global.

2 - Sustentabilidade e pressão ambiental

  • Clubes pressionados por torcedores e patrocinadores a adotarem práticas ecológicas (ex: estádios sustentáveis, redução de emissões).
  • ESG como fator decisivo para parcerias.

3 - Crescimento dos esportes virtuais e simulados

  • Popularidade de plataformas como FIFA e Football Manager.
  • Surgimento de clubes "digitais" com comunidades fortes, sem vínculo geográfico.

 4 - Tokenização e criptoativos

  • Fan tokens, NFTs, contratos inteligentes.
  • Novas formas de financiamento via blockchain, com risco regulatório associado.

5 -  Plataformas descentralizadas e microtransmissões

  • Crescimento de canais como Twitch, YouTube, TikTok com conteúdo exclusivo de futebol.
  • Microtransações por conteúdo específico (cobranças de falta, bastidores, dados ao vivo).

6 -  Pressão por governança e compliance

  • Crescimento da fiscalização por parte de órgãos públicos e sociedade.
  • Transparência em contratos, direitos de imagem e gestão de recursos.

 

7 -  Globalização dos clubes locais

  • Clubes de mercados emergentes sendo adquiridos por grupos internacionais.
  • Formação de clubes-marca voltados a públicos globais (como PSG, City e Barcelona).

8 - Biotecnologia e medicina esportiva de precisão

  • Avanços em genética e personalização de treinos/nutrição.
  • Redução de lesões e maior longevidade de atletas.

9 -  Saturação de calendários e jogos

  • Discussões sobre saúde mental e física dos atletas.
  • Necessidade de reformulação de campeonatos e modelo de negócios.

10 -  Envelhecimento e afastamento de torcedores tradicionais

  • Torcedores mais velhos com hábitos diferentes dos da geração digital.
  • Desafio de manter os estádios cheios com perfis diversos de público.

No Brasil, convivemos atualmente com três modelos distintos no futebol: os clubes associativos, os clubes-empresa e o novo modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Diante dos diversos sinais de transformação especialmente os de curto prazo, cresce a preocupação com o futuro dos clubes associativos, cujo modelo de gestão tem se mostrado insustentável na realidade atual do esporte.

Apesar disso, o torcedor apaixonado, cada vez mais exigente e envolvido, resiste a aceitar essa nova lógica de mercado, o que cria um conflito entre tradição e modernidade na estrutura do futebol nacional.

"Pelo bem do futebol, é necessário e urgente que todos se unam na busca por soluções que permitam aos clubes associativos acelerarem sua profissionalização e garantirem sua própria sobrevivência."

 

Por Arley Carlos Silva - Vice Presidente Administrativo do Mixto Esporte Clube